Sei que nunca terei o que procuro
E que nem sei buscar o que desejo,
Mas busco, insciente, no silêncio escuro
E pasmo do que sei que não almejo.
Fernando Pessoa.
De certa altura, ainda eu na tenra idade, não sabendo bem
conjugar as quatro letras que formavam a palavra
“amor”. Havia muita coisa que eu não sabia, mas ansiava
por saber, lutava por saber, pois queria não errar, queria crescer,
queria tornar-me em alguém, em gente.
Sentei numa mesa de café, quantas e quantas em que me sentei, dias
e dias que ali passei, mas nunca me esquece aquela tarde, aquela
conversa que devo para a vida inteira.
O problema estava na pele dele, o problema estava com ele, e apenas falou daquilo que se passava, daquilo que era verdade. Hoje, toca-me a mim passar pelo que passou, mas trago uma leve vantagem, eu agora sei o que é, e sei o que fazer.
Vou antes, falar da essência da conversa. Era um lamento vagabundo, um lamento de um jovem, era um coração sofredor, como tantos outros. Sofria por algo terrivelmente doloroso, não se vê, mas atinge bem lá no fundo. Ele dizia,''Tomara eu que as questões do amor fossem relacionadas a um botão, que bom era ter um botão em mim e se pudesse, desligar''. Que bom era ser só a cabeça a mandar e não o coração, por vezes seria bom, talvez não sofressemos tanto. Já naquela altura, como qualquer adolescente, os problemas existencialistas faziam parte do meu ser, no entanto, não sabia ainda como lidar com alguns deles. Foi então que escutei a voz da razão e sabedoria, foi então que aprendi algo que jamais me esqueço.
''O tempo é tudo, pode ser o teu amigo e conselheiro, como pode
ser o teu pior inimigo. Ele ajuda-te em muito, é o tempo que pode
fazer aquilo que talvez esse botão faria em segundos, o tempo fará
em dias, mas fará-lo. Se perdes-te alguém, se estás magoado, é ele
também que vai ajudar, vai curar as feridas e fazer esquecer o
passado, fazer viver um novo dia''.
O tempo é mesmo tudo, tanto faz milagres como estragos, tanto é bom
quando ajuda, como maléfico quando agride. Sara feridas como pode
aumentar um amor.
Realemente, o botão dava imenso jeito, era tudo muito mais facil,
mas também que piada teria viver? Sem medo temos de enfrentar o que
vier, como esta conversa que me ajudou e ainda ajuda, muitas outras
virão, porque quem realmente gosta de nós, está sempre presente
para nos apoiar e dar força.
Obrigado
> Texto dedicado ao ''Be'', o padrinho que sempre foi o meu
ponto luz de seguimento, muito de mim hoje deve a ele e este texto
é apenas uma amostra das coisas que com ele aprendi. Agradeço para
sempre. Não quero também tirar mérito à madrinha Rita, que sempre
batalhou comigo pelas coisas, devos-lhe muito.
Descobrem-se coisas com o passar do tempo que nos deixam sem
reação. Não é nada que ninguém saiba, mesmo eu já sabia de
situações destas assim por alto, mas há altura em que nos dá para
parar e pensar.
Vemos de tudo por esse mundo fora, felizes e infelizes, uns que
estão bem e outros que vivem menos bem, vemos alegria e tristeza,
guerra e paz, vemos o mundo na sua cor.
Mas centrando-me em casais e vida a dois, alegra-me ver por aí,
casais felizes, num jantar romântico, sentados num banco de jardim,
casais que fazem uma vida a dois perfeitamente apaixonados. E
claro, sobram depois aquelas pessoas, que vivem só, carentes, sem
ninguém, mas acho que essas pessoas deviam lutar pela
felicidade.
Passo a explicar, quando digo lutar pela felicidade, digo, lutar
por alguém que ame, ou então por uma vida sem tristeza, uma vida
alegre, uma vida do qual tenhamos orgulho, que nos encha a alma com
um enorme sorriso.
Por vezes, o amor vai encalhar a pessoas comprometidas, alguém que
já está noutro paraíso, mas o que fazer nessas situações!?
Pois bem, temos sempre dois caminhos, avançar ou recuar, seja, ou
esquecemos e partimos para outra, por mais que nos custe, mas a
vida é mesmo assim, aprender a viver, ou então lutamos, mas que
seja uma luta justa, uma luta com honra e gloria, uma luta da qual
tenhamos orgulho.
As mulheres, adoptam sistemas psicológicos, algo que enfim, por
vezes é jogar sujo e jogar baixo, como mandar uma sms anónima a
namorada do rapaz em questão para que esta fique cheia de dúvidas e
assim. Tudo para acabar uma relação. Entre outras situações que nem
preciso de falar.
Desta vez não fico só por aqui, não são só as mulheres que o fazem,
os homens também têm as suas desavenças, mas são brutos, e
anormais. Entram em conflitos, por vezes lutam entre si por mera
estupidez.
Tanto um como outro, agem incorrectamente, e isto deixa-me triste,
lutar e combater por aquilo que queremos é possível de tanta
maneira, para que vamos nós recorrer a factos extremos? Porque não
fazemos do melhor modo possível sem que não haja grandes
conflitos?
No fim de tudo, não sei o que pensar, esta sociedade é
completamente estranha para mim, por vezes não percebo o que os
leva a fazer isto! O amor!? Eles lá sabem o que é amar! Eles lá
sabem o que é sentir!
E como este é daqueles momentos em que não tenho realmente nada
para fazer, vamos lá ver se consigo desfiar uma linha de raciocinio
suficientemente nítida, só para me entreter durante meia horinha
ok?
...
Ok, estou mesmo preocupada. O meu cérebro transformou-se numa massa
pastosa bolorenta. Isto de ficar enclausurada entre quatro paredes
tirou-me o pouco que tinha de escrita... Credo!
....
Não me ocorre mesmo nada! Bem, ao menos tentei.
É bom sentir o vento, é bom sentir a vida, vive-la agradavelmente e
livremente, livre, como um pássaro.
Liberdade, é algo que muitos desconhecem, e pois bem, não serei eu
a falar disso, esta constrói-se apenas, reconhece-se e é muito
boa.
Gosto dela, de a viver, de a ter por perto, não querendo nada que
me possa prender, daí viver sem depender de ninguém, sem que nada
seja monótono, e claro, sem que seja sempre o mesmo.
Incomoda-me namoricos, não tenho nada contra isso, aliás, um dia
serei eu a estar nessa situação mas até lá, quero viver solto,
quero viver sem ver nada disso nem sequer ouvir falar, quero ter um
mundo ilusório de que tudo é possível e que é possível viver sem
amor.
No fundo sei que é impossível, mas a sensação de poder ser apenas
eu a controlar-me a mim mesmo, é única, logo, eu estarei no meu
caminho.
Não quero problemas, nem que nos proporcionem, afasto-me deles, não
fujo. Evito, mas não me escondo. Se tiver de enfrentar, não tenho
medo, apenas dispenso. Conseguir conciliar tudo isto, é
complicado.
Eu dou uma mão, e pedem-me mais, querem um braço, e isso não posso
dar. Já não prometo o passado, pois passou e além de continuar a
ser o mesmo, há mudanças sólidas que se fazem notar.
Quem quiser a felicidade, a minha felicidade, terão de respeitar
algumas contrapartidas, tal como eu respeitarei algumas regras,
caso me sejam impostas, têm o direito disso.
Do mesmo modo, aquilo que faço, este afastamento do romantismo,
poderá ser aceito em outra qualquer pessoa, mesmo que eu um dia
esteja envolvido e alguém me diga que não se sente bem por ver
forças do amor tão fortes, eu vou compreender e dizer:
“Amigo, voa livre, tal como voa a andorinha da primavera, faz
o teu ninho aqui e parte, ele continuará intacto até tu voltares,
não serei eu que o vou destruir”